corpo de mim minha árvore podada
a quem pela presença insistente do olhar
foi ofertada a multiplicidade do ser
corpo em misterioso jardim plantado
cujo tronco ergue-se solene e calmo
e seus ramos roçando o céu imitam
dedos amorosamente entrelaçados
corpo meu ergue a voz poderosa
que desde os tempos imemoriais
pune o silêncio e castiga a morte
deixa meu corpo que a palavra se solte
e que a palavra esvoace através do éter
e cruze em todas as direcções o esférico
semeando aqui e ali as fiadas de rosas
que apascentam os rebentos do real
e que muito ao lonje e lá no alto vão
ao real acrescentando novos lugares
só pelo poder que têm de designar